Boca da Barra de Itanhaém e o futuro da navegação

Estudos da foz do Rio Itanhaém vão avaliar alternativas para a navegação e apoiar o debate sobre erosão costeira, drenagem e surfe.

Boca da Barra de Itanhaém e o futuro da navegação

César Ferreira
Secretário de Defesa do Meio Ambiente e Bem-Estar Animal de Itanhaém

A Boca da Barra de Itanhaém, onde o Rio Itanhaém encontra o mar, concentra uma demanda histórica da cidade: melhorar a segurança da passagem das embarcações. A aprovação e a assinatura do convênio para novos estudos sobre o assoreamento da foz garantiram um investimento total de R$ 1.686.926,58 para aprofundar o conhecimento da região e avaliar alternativas de intervenção. [1]

Como secretário de Defesa do Meio Ambiente e Bem-Estar Animal, considero a navegabilidade a prioridade dessa discussão. Precisamos compreender também como uma eventual solução poderá se relacionar com a erosão da Praia do Centro, o escoamento das águas e as ondas utilizadas pelos surfistas. Os estudos darão base à decisão sobre eventuais intervenções na foz.

Por que a navegação na Boca da Barra é a prioridade

Para os pescadores e demais usuários do rio, atravessar a barra é parte da rotina. A formação de bancos de areia e as variações de profundidade limitam a passagem dos barcos, em uma área sujeita à ação das ondas, das correntes e das marés. Os estudos históricos da USP já identificavam a desembocadura como o principal obstáculo à navegação no sistema estudado. [2]

Imagem da boca da barra em itanhaem
Imagem da boca da barra em itanhaem

Avaliar alternativas para melhorar esse acesso significa olhar para a segurança de quem trabalha no mar e para as condições de operação da pesca e do turismo náutico em Itanhaém. O projeto deverá fornecer elementos para decidir quais intervenções são adequadas e quais efeitos elas poderão produzir.

Como estudar o assoreamento da foz do Rio Itanhaém

O assoreamento envolve o acúmulo de sedimentos, como areia, que modifica a configuração e a profundidade do fundo. Na barra, compreender a movimentação desse material exige considerar conjuntamente a ação do rio e do mar. Ondas, marés, correntes e vazões participam dessa dinâmica. [1]

Simulação dos estudos da USP de como seria a estrutura a ser implantada na boca da barra em itanhaem
Simulação dos estudos da USP de como seria a estrutura a ser implantada na boca da barra em itanhaem, solução escolhida na época foi um molhe de pedras · USP

Os novos trabalhos combinarão levantamentos modernos e modelagem computacional. As simulações permitirão comparar cenários e avaliar o comportamento da foz diante de possíveis intervenções. Esse conhecimento é necessário para examinar a eficácia das alternativas, seus impactos e as necessidades de manutenção ao longo do tempo. [1]

Os estudos da USP e a contribuição de Paolo Alfredini

A nova etapa dará continuidade ao conhecimento produzido pelo Laboratório de Hidráulica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Entre 1991 e 2003, os pesquisadores estudaram alternativas para melhorar a navegação na barra. O professor Paolo Alfredini coordenou essas pesquisas, que incluíram a avaliação de molhes guias-correntes, estruturas projetadas para orientar o fluxo na desembocadura. [3]

O trabalho utilizou levantamentos de campo, modelos físicos e modelagem matemática. Mais de 30 anos após o início dessas pesquisas, a cidade poderá atualizar os dados e reavaliar as alternativas nas condições atuais. A proposta histórica é uma referência técnica; a escolha de uma solução dependerá dos novos resultados. [2]

Combate à erosão da Praia do Centro

A proteção da Praia do Centro precisa fazer parte da avaliação das alternativas para a Boca da Barra. A movimentação da areia conecta a foz às praias próximas, e uma intervenção pode alterar a distribuição desses sedimentos.

O artigo técnico publicado em 2003 apontou que a configuração de molhes então estudada poderia favorecer o acúmulo de areia na Praia do Centro, mas também provocar erosão na Praia dos Pescadores. Essa previsão histórica mostra por que é necessário analisar o conjunto da costa. [2]

Defendo que o combate à erosão seja planejado com esse cuidado: avaliar a proteção da orla central e verificar os efeitos nas praias vizinhas. Os novos estudos poderão ajudar a comparar alternativas e identificar medidas compatíveis com a dinâmica costeira e com os usos da região.

A relação com a drenagem urbana em Itanhaém

A foz também merece atenção no planejamento da drenagem. Em áreas costeiras, os níveis dos rios e do mar se relacionam: a maré e as condições de escoamento podem influenciar a saída das águas. Por isso, avaliações hidráulicas precisam considerar o que acontece a montante e na desembocadura. [4]

A partir desse princípio, o conhecimento produzido sobre o Rio Itanhaém poderá subsidiar análises da drenagem do município. O efeito de uma eventual intervenção sobre os níveis de água e os alagamentos, porém, dependerá de avaliação hidráulica integrada à bacia e à rede urbana.

Essa relação deve ser investigada, sem antecipar uma redução de enchentes que ainda precisa ser demonstrada. O planejamento da drenagem continua a exigir atenção aos canais, às galerias, à ocupação do solo e à capacidade de escoamento de cada área.

Surfe em Itanhaém e a importância das ondas

O surfe também deve entrar nessa discussão. A profundidade e o formato do fundo influenciam a transformação e a quebra das ondas. Assim, mudanças na distribuição da areia e na configuração da foz podem modificar condições importantes para a prática do esporte. [5]

Avaliar esses efeitos permitirá discutir a preservação dos picos existentes e possíveis benefícios para o surfe em Itanhaém, sempre em compatibilidade com a navegação e a proteção ambiental. Qualquer expectativa de melhoria na formação das ondas precisa passar pelas simulações e pela análise técnica.

O tema ganha relevância com a aprovação de Itanhaém para integrar a World Surf Cities Network, a Rede Mundial de Cidades de Surf, anunciada em outubro de 2026. A entrada na rede está prevista para 2027 e reforça a oportunidade de aproximar esporte, turismo e conservação das praias. [6]

Onde surfar em Itanhaém e encontrar boas ondas

Maquete feita na época dos estudos da USP para simular os impactos da ondas na Boca da Barra em itanhaem
Maquete feita na época dos estudos da USP para simular os impactos da ondas na Boca da Barra em itanhaem · USP

Para quem procura onde surfar em Itanhaém, os materiais turísticos do município destacam a Praia dos Pescadores, também conhecida como Prainha, a Praia dos Sonhos e o Cibratel, especialmente o canto das pedras. Há também bancadas de areia procuradas por surfistas ao longo da Praia de Itanhaém. [7, 8]

As melhores ondas em Itanhaém variam conforme a ondulação, o vento, a maré e as condições do fundo. Esses locais ajudam a entender a diversidade do surfe na cidade, mas a escolha do pico depende das condições do dia e da experiência de cada praticante. Preservar esse patrimônio deve orientar a avaliação de futuras intervenções.

Investimento nos estudos e participação da sociedade civil

O investimento reúne R$ 1.498.226,82 do Fundo Estadual de Recursos Hídricos, o FEHIDRO, e R$ 188.699,76 de contrapartida municipal. A Prefeitura cumprirá essa contrapartida com trabalho de sua equipe técnica durante 24 meses. O valor total de R$ 1.686.926,58 corresponde, portanto, aos recursos destinados aos estudos e à participação técnica municipal. [1]

O projeto conta com a parceria da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Itanhaém, a AEAI. A participação da sociedade civil organizada aproxima o conhecimento técnico das necessidades locais e amplia o diálogo sobre as alternativas para a barra. [1]

Considero importante que esse debate ouça também pescadores, surfistas e demais usuários do rio e das praias. A experiência de quem utiliza esses espaços pode contribuir para formular perguntas e interpretar os efeitos das soluções que vierem a ser estudadas.

Qual será a próxima etapa do projeto

A próxima etapa será a contratação de uma instituição de ensino ou pesquisa para realizar os serviços. Caso os estudos identifiquem uma solução adequada, a instituição elaborará o projeto correspondente, permitindo à Prefeitura buscar os investimentos necessários à implantação. [1]

A Boca da Barra exige decisões apoiadas em dados atuais e na avaliação dos impactos. A prioridade é melhorar as condições de navegação, com atenção à Praia do Centro e às demais praias, ao funcionamento do rio e à atividade do surfe. A contratação da instituição dará sequência a esse trabalho.

Fontes e referências

  1. Prefeitura de Itanhaém — Convênio e recursos para os estudos da Boca da Barra. 22 de outubro de 2026.
  2. Alfredini e coautores — Avaliação do impacto morfológico do projeto de guias-correntes na barra do Rio Itanhaém. XV Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, 2003.
  3. Agência USP — Projeto da Poli aumenta o potencial turístico e comercial de Itanhaém. Diário Oficial do Estado, 4 de setembro de 2003.
  4. DNIT — Manual de Drenagem de Rodovias. 2006, seção sobre influência de remansos e marés, página impressa 134.
  5. NOAA Ocean Exploration — What causes ocean waves. Atualizado em 14 de setembro de 2022.
  6. Prefeitura de Itanhaém — Aprovação para integrar a Rede Mundial de Cidades de Surf. 22 de outubro de 2026, ingresso previsto para 2027.
  7. Prefeitura de Itanhaém — Turismo Aventura. Consultado em 28 de outubro de 2026.
  8. Prefeitura de Itanhaém — Praia dos Pescadores. Consultado em 28 de outubro de 2026.

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Itanhaém avança na busca por soluções para um desafio histórico! A assinatura do convênio de R$ 1,5 milhão para realização de estudos na Boca da Barra representa um passo importante para o planejamento ambiental e o desenvolvimento sustentável do nosso município. Os estudos poderão abrir caminho para um projeto estrutural no canal da Boca da Barra, com potencial para atender demandas históricas e trazer benefícios estratégicos para a cidade. Abrir na plataforma

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